Ocês já viro um Saci, eu já, vou contar pro cês como vi esse
moleque pela primeira vez.
Foi na Fazenda dos Três Tombos, do Coronel Joaquim Souza e de
sua esposa Sinhá Maria.
Eu trabaiava a dia naquelas terras, tudo ia bem até numa
tarde passou um vento fora do comum pela fazenda os animais ficaram agitados
ninguém sabia o porquê.
No dia seguinte os cavalos do Coronel apareceram com a crina
e o rabo trançados. Ele ficou muito bravo louco pra descobrir quem lhe fizera
aquela desfeita, ele ia processar o infeliz, pois seu grande alazão negro mais
parecia uma miss Brasil com aquelas trancinhas. Comecei a desconfiar, quem
poderia ter feito aquilo porque o patrão era uma boa pessoa e todos gostavam
dele.
Na quarta feira, parecia até castigo, todo o leite da fazenda
azedou ficamos sem café da manhã reforçado, coisa estranha. Na hora do almoço
escutei mãe véia reclamando que o arroz e o feijão tinham queimado no almoço,
foi quando ela deixou escapar: “Isso é coisa de Saci”.
Eu num acreditava nesse muleque não, mas mãe véia mandou que
eu pegasse uma peneia e uma garrafa para a caçada. Eu peguei até mais que isso,
uns dente de alho, um crucifixo e fui até na igreja pegar uma garrafinha de
água benta.
Então na sexta de manhazinha partimo nós, mãe véia e eu, os
primeiro caçadores de sací do Córrego do Lambarí. Andemo igual assombração,
encontremo: preguiça, tamanduá, gambá e até rastro de lobo guará, mas saci,
nada.
A tarde já tinha chegado quando senti um vento de gelar a
espinha e ouvi uma risadinha estridente muito longe. Mãe véia falou bem
baixinho:
- O caramunhão tá perto, vamos chegando bem devagar pro coisa
ruim num vê nóis!
Mãe véia foi pra detrás da figueira e eu subi no paiol com a
peneira armada, lá de longe apareceu um redemoinho, a risadinha foi ficando
mais próxima e mais... e mais... quando num pulo de gato caí com a peneira
encima do perneta. Foi quando dei um grande berro!
- A GARRAFA, TRÁS A GARRAFA!!!
Mãe véia veio correndo, mais que o vento. Enfiei minha mão
debaixo da peneira até encontrar a carapuça do saci, puxei de sua cabeça e
ordenei ao muleque:
- Entra na garrafa!
Ele não teve muita escolha, prendi o pernetinha, e vez ou
outra ele tenta me enganar pra eu soltar ele. Mas eu não solto.
Vocês querem ver esse matuto?
Ele tá aqui oh!


