domingo, 21 de agosto de 2016

Causo do Saci no Córrego do Lambarí

Ocês já viro um Saci, eu já, vou contar pro cês como vi esse moleque pela primeira vez.
Foi na Fazenda dos Três Tombos, do Coronel Joaquim Souza e de sua esposa Sinhá Maria.
Eu trabaiava a dia naquelas terras, tudo ia bem até numa tarde passou um vento fora do comum pela fazenda os animais ficaram agitados ninguém sabia o porquê.
No dia seguinte os cavalos do Coronel apareceram com a crina e o rabo trançados. Ele ficou muito bravo louco pra descobrir quem lhe fizera aquela desfeita, ele ia processar o infeliz, pois seu grande alazão negro mais parecia uma miss Brasil com aquelas trancinhas. Comecei a desconfiar, quem poderia ter feito aquilo porque o patrão era uma boa pessoa e todos gostavam dele.
Na quarta feira, parecia até castigo, todo o leite da fazenda azedou ficamos sem café da manhã reforçado, coisa estranha. Na hora do almoço escutei mãe véia reclamando que o arroz e o feijão tinham queimado no almoço, foi quando ela deixou escapar: “Isso é coisa de Saci”.
Eu num acreditava nesse muleque não, mas mãe véia mandou que eu pegasse uma peneia e uma garrafa para a caçada. Eu peguei até mais que isso, uns dente de alho, um crucifixo e fui até na igreja pegar uma garrafinha de água benta.
Então na sexta de manhazinha partimo nós, mãe véia e eu, os primeiro caçadores de sací do Córrego do Lambarí. Andemo igual assombração, encontremo: preguiça, tamanduá, gambá e até rastro de lobo guará, mas saci, nada.
A tarde já tinha chegado quando senti um vento de gelar a espinha e ouvi uma risadinha estridente muito longe. Mãe véia falou bem baixinho:
- O caramunhão tá perto, vamos chegando bem devagar pro coisa ruim num vê nóis!
Mãe véia foi pra detrás da figueira e eu subi no paiol com a peneira armada, lá de longe apareceu um redemoinho, a risadinha foi ficando mais próxima e mais... e mais... quando num pulo de gato caí com a peneira encima do perneta. Foi quando dei um grande berro!
- A GARRAFA, TRÁS A GARRAFA!!!
Mãe véia veio correndo, mais que o vento. Enfiei minha mão debaixo da peneira até encontrar a carapuça do saci, puxei de sua cabeça e ordenei ao muleque:
- Entra na garrafa!
Ele não teve muita escolha, prendi o pernetinha, e vez ou outra ele tenta me enganar pra eu soltar ele. Mas eu não solto.
Vocês querem ver esse matuto?
Ele tá aqui oh!




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